O Impacto das Redes de Acesso Corporativas nas Operadoras de Telecom

Tempo de leitura: 6 minutos

A Explosão da Demanda

As redes de acesso têm se transformado nos últimos anos. Usuários domésticos demandam uma rede de acesso à Internet enquanto redes corporativas conectam filiais. As operadoras de telecomunicações precisam atender esses dois tipos de clientes, atentando para as diferenças entre elas e principalmente mantendo custos reduzidos de projeto e operação para manter a competitividade.

O acesso à internet se popularizou no Brasil e as velocidades dos serviços de acesso aumentaram significativamente

O acesso à internet definitivamente se popularizou no Brasil, segundo mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, 57,8% das residências possuíam acesso à Internet em 2015. Além da popularização do serviço em relação ao aumento do número de assinantes, é cada vez maior a disponibilidade de serviços de acesso com velocidades de até 200Mbps. Esses serviços são padronizados, possuem apenas diferença entre as velocidades de download e upload e o lucro das operadoras está relacionado com o aumento no número de assinantes.

Serviços corporativos, além de velocidade, requerem customização

Usuários corporativos também podem fazer uso de serviços padronizados como os usuários domésticos, mas o grande diferencial é a contratação de serviços customizados que oferecem mais do que simples acesso à Internet. Empresas costumam contratar serviços de interligação entre sua sede e filiais, para uso principalmente de serviços corporativos sem uma necessidade tão grande de velocidades de acesso.

Um exemplo de serviços customizados são as redes de lojas de vendas de eletrodomésticos. Essas lojas contam com um estoque local e centrais de distribuição regionais. As lojas precisam ter acesso ao estoque disponível e aos valores dos produtos de forma centralizada. Esse perfil de cliente geralmente utiliza VOIP e conta com um sistema próprio, em modo texto ou web bem simples, e necessitam de uma baixa taxa de comunicação para o seu funcionamento.

Este cenário exemplificado se estende para diversos tipos de empresas e as demandas de contratação de serviços corporativos para ligação entre sede e filiais, normalmente, fica próximo de 1Mbps, podendo até mesmo ser de 512kbps ou 256Kbps.

Os Impactos para Operadoras de Telecom

As operadoras de telecomunicações precisam fazer escolhas baseadas em seu modelo de negócio para manter esse tipo de serviço disponível e com boa margem.

Por um lado, existe um parque de ativos em operação capaz de atender a demandas por baixas taxas de transmissão sem a necessidade de investimentos em aquisição de equipamentos, por outro lado esses equipamentos e as redes de transmissão para esses serviços já atingiram ou estão muito próximos do fim de sua vida útil, gerando um alto custo de operação.

As operadoras precisam manter em funcionamento tecnologias antigas, já disponíveis, e implantar novas tecnologias para suportar o crescimento da demanda

Serviços corporativos de baixa velocidade representam uma receita significativa para operadoras, além disso, o preço dos serviços está diretamente relacionado com a velocidade contratada. Por conta disso até mesmo redes com tecnologia X.25, que foram criadas na década de 1970, ainda estão em funcionamento no Brasil para alguns contratos antigos.

Taxas próximas a 1Mbps são atendidas principalmente com protocolo ppp (point-to point protocol) ou mlppp (multi-link ppp), utilizando uma multiplexação TDM (Time Division Multiplexing). Para esse cenário, as operadoras mantêm grandes estruturas de redes TDM que tem seu custo de operação aumentando a cada ano e no limite do seu ciclo de vida, acarretando em muitos casos na interrupção ou redução dos níveis de serviços.

Em um futuro próximo, esse parque de equipamentos não se tornará mais viável economicamente, as operadoras terão que adequar seu modelo de negócio para atender os clientes corporativos com tecnologias mais atuais onde a velocidade não será mais o principal critério para determinação do preço do serviço, e sim as características relacionadas a qualidade do serviço, como por exemplo a priorização de pacotes, latência, jitter e número de rotas mpls.

A Pressão por Redução de Custos

A adoção de novas tecnologias será feita de forma controlada e por alguns anos deverá coexistir com as tecnologias legadas. Manter as redes legadas viáveis economicamente e garantir a adoção de novas tecnologias deverão considerar as pressões existente para redução de custos de capex e opex e o planejamento deverá ser executado utilizando o que existe de mais avançado em termos de automação e controle de processos.

Para conhecer mais sobre os impactos do aumento de tráfego em relação com as receitas de operadores de telecomunicações leia nosso artigo sobre aumento de demanda X aumento de receita:

Artigo “A Motivação das Operadoras para Uso de Otimização e Novas Tecnologias”

Automatização de Processos

A única forma das operadoras manterem a viabilidade desses tipos de serviços é automatizar cada vez mais os seus processos de planejamento, implantação e operação. Com a automação, será possível a redução do número de horas de trabalho dos engenheiros para diversas atividades impactando diretamente na redução de custos de capex e opex das redes de telecomunicações.

Autor deste Artigo: Engenheiro Marcelo Vasconcelos

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